O ano é 1961. Durante o governo do presidente Kennedy, o movimento pelos direitos civis se consolidou, o Muro de Berlim foi construído e a NASA começou a jogar todas as cartas possíveis para que os EUA tomassem a dianteira da corrida espacial.

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Enquanto isso, nas ruas, o país sofria com uma batalha pelos direitos das mulheres e igualdade racial. A Ordem Executiva 8802 estava em vigor, proibindo a discriminação racial na indústria de defesa nos EUA e permitindo a contratação de qualquer cidadão qualificado nos órgãos federais, independente de crenças ou cor. A lei funcionava muito bem na teoria e possibilitou a entrada de muitos profissionais negros em agências como a NASA – mas o dia a dia era repleto de olhares preconceituosos da maior parte dos engenheiros, matemáticos e pesquisadores.

Entre discussões políticas, sociais e tecnológicas, surge o plot do filme Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, no original em inglês), que estreia em breve por aqui.

Dirigido por Theodore Melfi, com roteiro baseado no livro homônimo, Estrelas Além do Tempo conta a história real de Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, que se uniram contra o preconceito e ideias hierárquicas para liderar uma grande equipe, em uma área predominantemente masculina, e trabalhar pelos avanços tecnológicos na agência espacial norte-americana. Foi com a inteligência e trabalho duro dessas cientistas que um dos grandes eventos da história americana (e científica) realmente aconteceu.

Quem são as makers da história?

Katherine Johnson foi escolhida pela BBC como uma das 100 mulheres mais inspiradoras e influentes, graças ao seu trabalho com aeronáutica e navegação astronômica. Ela calculou trajetórias, lançamentos e regressos de emergência em voos de grandes projetos, como o Projeto Mercury, Apollo 11 e a missão à Marte. Em 2015, Katherine recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade (para complementar sua coleção de prêmios, certificações e honrarias) e, em agosto de 2016, comemorou 98 anos de idade.

Mary Jackson faleceu em 2005, mas deixou um legado de incentivo ao desenvolvimento da carreira científica entre as mulheres. Bacharel em Física e Matemática pela Universidade Hampton, Mary trabalhou no Langley Research Center e, depois de muita experiência com a agência, passou a trabalhar no programa especial de treinamento como engenheira aeroespacial, fazendo testes com túneis de vento e aeronaves, para entender como o ar se comportava nessas máquinas.

Dorothy Vaughan, que faleceu em 2008, formou-se em matemática pela Universidade Wilberforce (Ohio) e se especializou em rotas de voo pelo Langley Research Center. Ela foi a primeira mulher negra a se tornar supervisora de um departamento na NACA (National Advisory Committee for Aeronautics), agência que precedeu a NASA.

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Com grandes nomes no elenco – Taraji P. Henson (“O Curioso Caso de Benjamin Button”), Octavia Spencer (vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por seu papel em “Histórias Cruzadas) e Janelle Monáe interpretam as protagonistas -, Estrelas Além do Tempo já é a maior bilheteria dos Estados Unidos e um dos filmes mais esperados (e amados!) de 2017. Tudo isso porque, além de destruir preconceitos, a produção traz personagens makers que revolucionaram o trabalho feminino na ciência. Inspiração para as engenheiras, cientistas e mulheres de todas as épocas, não é?

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