Lá por 2015, comecei a observar que diversas famosas estavam publicando em suas contas no Instagram desenhos de uma garota específica — uma tal de Jaqueline Diedam. Assim que entrei no perfil dela, descobri um estilo de ilustração que foi amor à primeira vista: sapatinhos, flores, garrafas de rosé e pontos turísticos ganhavam vida na mão da artista com uma sensibilidade única, e com um quê que lembra de leve as tonalidades da Mendl’s, aquela loja de doces d’O Grande Hotel Budapeste.

Desde então, acompanho de perto os trabalhos desenvolvidos pela Jaqueline — mais conhecida na internet como Jackie Diedam — e me derreto com cada postagem delicada que ela faz no seu perfil do Instagram.

Para mim, a Jackie Diedam é um exemplo de maker. Sua paixão pela arte começou quando ainda era criança, e a pouca idade não foi empecilho para que ela percebesse que poderia sim ganhar a vida com o seu talento.

Por volta de 2011, ela saiu de Curitiba — sua cidade natal — e se mudou para a Alemanha, onde vive até hoje criando ilustrações no seu lindo home office.

Na entrevista a seguir, você vai conhecer um pouco da rotina e do processo criativo de Jackie Diedam. Espero que a história e as lindas ilustrações da Jaqueline te inspirem a tirar a sua ideia do papel 😉

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Jackie divando no seu home office em Colônia, na Alemanha.

1- Como o seu interesse pelo desenho e pela ilustração começou?

Eu sempre gostei de desenhar, isso já desde muito nova. Passei boa parte da minha vida pintando e desenhando.

A Jackie é total maker desde criancinha! <3

A Jackie é total maker desde criancinha! <3

2- Como foi o processo de transformar essa paixão no seu trabalho?

Desde o primeiro job com pintura, quando eu tinha uns sete anos eu sabia que poderia “viver“ disso. Eu sempre me interessei muito pelo lado de negócios tanto quanto o lado criativo e procurei me aprofundar com leituras na área, entrando em contato com pessoas que eu achava que tinham algo a me ensinar, e prestando muita atenção à parte legal também. Eu me formei faz um ano em Design Integrado na KISD, aqui em Köln, e uso todo o conhecimento dentro do processo de ilustração.

3- Como e por que você acabou se mudando para a Alemanha? Você acha que a sua mudança para o país ajudou na sua profissão?

Eu comecei meus estudos em Design na UFPR, e acabou surgindo uma oportunidade de fazer um intercâmbio, lá em 2011, para a KISD e acabei ficando por aqui mesmo, já que eu tenho cidadania dupla o processo de transferência não foi muito complicado. Eu acho que ter me mudado para cá ajudou muito na questão de inspiração e de influências estéticas, e também a ter uma audiência mais internacional dentro da minha profissão.

4- Quais são as principais dificuldades de ser uma freelancer e como que você supera elas?

A maior dificuldade é ter trabalhos o bastante, e que paguem o bastante também. Saber negociar contratos, saber valorizar o seu trabalho e seu tempo também é bem importante. Tem muito freelancer que acaba aceitando qualquer preço, e isso prejudica muito o mercado como um todo.

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5- Você é uma ilustradora bem conhecida. Que estratégias costuma usar para fazer com que mais pessoas conheçam o seu trabalho?

No começo, quando eu não tinha presença nenhuma, eu ilustrava pessoas famosas que eu gostava, e marcava elas nas fotos. Era bem simples: elas visualizavam, e se gostavam repostavam. Eu consegui vários contatos bons de pessoas que eu admiro muito, e acabei pegando trabalhos legais com essa estratégia na época. Maaaaas isso mudou muito já que muita gente começou a fazer a mesma coisa. Hoje eu simplesmente tento mostrar um pouco dos trabalhos que eu faço, um pouco do meu dia a dia e isso já é o bastante para ter uma reação positiva nas redes sociais.

6- Que dicas você daria para as ilustradoras de plantão que querem profissionalizar os seus negócios?

Saiba que sair do “hobby“ e virar profissional não é só maravilhas. Quando eu desenhava só para mim, não tinha pressão nenhuma, não tinha prazos, não tinha que ler e fazer contratos, não passava manhãs inteiras respondendo e-mails de clientes. Era só diversão! Uma das coisas que me ajudou no começo foi abrir uma loja online para vender alguns trabalhos como gravuras e encomendas pessoais.

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7- Você faz home office: como consegue se manter organizada e produtiva nesse ambiente?

Home office é uma controvérsia, né?! Com certeza é uma delícia trabalhar em casa, e sim, às vezes eu trabalho de pijama! Mas tenho que ser muito organizada também. É muito fácil você se perder em coisas da rotina da casa, como lavar roupas, lidar com a cozinha bagunçada, atender os vizinhos que passam dar um oi, e desperdiçar um dia inteiro. Todo dia eu faço uma lista do que tem que ser feito, coloco apenas uma tarefa de casa (como colocar uma máquina de roupas para lavar, hehe) e tarefas pessoais (ligar pro dentista, médico, fazer algo para o meu bem-estar). O resto é trabalho, das 9h às 19h em geral. Acho muito importante ter uma rotina e saber se desligar do trabalho, descansar a vista e as mãos para ser produtiva no dia seguinte também. Saber organizar o espaço de trabalho também é primordial, porque, sim, você pode perder trabalhos dentro de casa, haha.

(neste vídeo você pode conferir de perto como é o “cantinho” da Jackie)

8- Como é, geralmente, a rotina do seu dia, desde que você levanta até a hora de dormir?

Pela parte da manhã eu leio meus e-mails e respondo o que é possível. Se tem compras na loja online, eu também mando para a gráfica durante a manhã. Antes de almoçar eu faço alguma tarefa de casa, como lavar roupa, tirar o lixo, etc, (o namorado cuida da cozinha, então nunca tenho que cozinhar!). Depois do almoço eu volto pro trabalho, e fico no estúdio até as 19h, fazendo o que for preciso: contratos, pesquisas, organizando projetos, e ilustrando. Muito desse tempo também vai para atividades como scannear e editar ilustrações originais, preparar arquivos para impressão, por exemplo. Depois das 19h, eu tento fazer algo com o namorado, como ir nadar, dar uma volta no parque e depois jantar, ver Netflix e dormir.

9- Onde você busca inspiração?

Acho que inspiração vem de muitos lugares, como parques, cafés, jardins botânicos e museus, mas tenho alguns sites que eu visito com frequência: Design Love Fest, Cupcakes and Cashmere, Honestly WTF, Oh Joy, Design Sponge. Livros, eu gosto muito de um catálogo de uma exposição do Henri Rousseau, que eu trouxe com muito carinho de Veneza, o livro best-seller In the Company of Women, da Grace Bonney e a bibliografia da Florence Broadhurst. Sofia Coppola e Wes Anderson são meus diretores preferidos e sempre revejo os filmes deles quando preciso de um up.

10- Por fim, você poderia indicar duas makers brasileiras que você curte muito?

A Bianca Berti, filmmaker MARAVILHOSA que eu amo e admiro muito, e a lindíssima Pati Bianco, que além de ser uma designer gráfica cheia de talento tá fazendo muito sucesso com o Fru-Fruta!

Acompanhe os trabalhos da Jackie Diedam clicando aqui.

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