Esta é uma tradução do texto em inglês “How Girlboss’s Sophia Amoruso Started Over After Bankruptcy and Divorce”, publicado originalmente no site InStyle.

Aos 30 anos de idade, eu era considerada um sucesso em todos os aspectos: estava nas listas da Forbes, Fortune e Inc — e até na lista das mais bem vestidas da Vanity Fair — e tinha uma empresa avaliada em 350 milhões de dólares.

Hashtag vencedora, né?! Eu gosto de dizer que não devemos comparar os nossos esforços ao sucesso dos outros, porque por trás das várias fotos no Instagram nas quais estava comendo ostras ou em férias dos sonhos, eu estava lutando. Aos 32 anos, meu casamento de um ano havia terminado e a minha empresa, Nasty Gal, tinha sido declarada à falência.

O divórcio veio primeiro. Um dia, sem que eu esperasse, o homem com quem eu havia acabado de me casar acordou e decidiu que nós não éramos feitos um para o outro. Lá estava eu, uma mulher gritando com a cabeça no travesseiro do Beverly Hills Hotel por quatro noites seguidas, sem conseguir comer e com o coração partido. Eu era um zumbi de Hollywood, fumando enquanto usava um roupão e boné de beisebol, acompanhada pelos meus três poodles que agora não tinham mais um pai.

Depois, veio a falência. A Nasty Gal estava lutando por anos, então, infelizmente, isso não foi um choque. Nós passamos por uma série de demissões e ações judiciais e não conseguimos acompanhar o modelo de varejo, que está em constante mudança. Depois de colocar o meu próprio dinheiro no negócio em 2015 e contratar uma CEO, eu decidi focar nos meus pontos fortes e no que mais importava: a marca. Eu trabalhei criando uma série de estratégias e parcerias. Eu me esforcei muito! Mas já era tarde.

A notícia da falência chegou em novembro passado, enquanto eu estava na Austrália, na turnê do meu segundo livro, Nasty Galaxy. Eu estava em um brunch de networking onde deveria falar para milhares de mulheres. Quando a morte da sua empresa é a principal notícia dos jornais e você está literalmente debaixo dos holofotes, o que você faz?

Eu dei a cara à tapa.

Eu abordei as coisas que geralmente falo no palco: minha ascensão, meus livros e o que aprendi ao longo do caminho. E — por mais que eu quisesse sumir da frente do público sem ter que falar sobre o desmoronamento da minha vida adulta — tive que falar sobre esse assunto. Tudo o que pude dizer, com lágrimas nos olhos, foi “Hey, esse foi o meu primeiro negócio e eu acho que ele foi bem longe!”. Porque, como desistente da faculdade comunitária de Sacramento, sem pedigree, eu fiz muita coisa.

Pouco depois que o meu marido foi embora, eu comecei a namorar um velho amigo. Você deve estar pensando que eu não teria tempo para um novo romance enquanto superava um casamento, eu sei. Mas eu conversei com ele, pedindo apoio, quando tudo aconteceu e me dei conta de que estávamos conversando por três horas seguidas em uma noite, e depois cinco horas seguidas em outra… Depois de uma semana de papo, eu finalmente tive a coragem de perguntar “Por que nós nunca namoramos?”

A resposta dele me surpreendeu, “Eu me perguntei a mesma coisa. Nós dois estávamos em relacionamentos”. Ele me lembrou de uma vez em que fomos num karaokê com um grande grupo de amigos — que depois de um momento foi embora nos deixando sozinhos. Eu era recém-casada, mas senti faíscas quando ele cantou a música “I Want You”, do Bob Dylan, e me afastei calmamente dele, balançando a minha cabeça enquanto pensava “não, não…”.

Sophia Amoruso

No dia em que pedi o divórcio, me vi novamente gritando no travesseiro do Beverly Hills Hotel, mas desta vez foi divertido. Hoje eu moro com esse homem. Nós fazemos viagens internacionais juntos, nós estamos fazendo uma colaboração para o meu próximo livro, nossas famílias passaram o Natal juntas e nós falamos sobre a possibilidade de termos filhos um dia. Meus poodles têm um pai novamente e eu compartilho com ele coisas que nunca havia dividido com o homem com que fui casada. Nós damos muita risada!

E eu tenho um novo negócio, uma comunidade e um grupo de mídia focado em redefinir o sucesso, que se chama — tadããã — Girlboss. Nós fizemos o nosso primeiro grande evento em março e temos uma fundação que já distribuiu mais de 100 mil dólares para mulheres que trabalham com design, moda, música e artes.

Em abril, uma comédia baseada no meu livro de 2014 — #GIRLBOSS — chegará em 95 milhões de casas, em 195 países e será traduzida para 30 idiomas. A incrível atriz Britt Robertson representa a protagonista (chamada Sophia). O seriado foi escrito por Kay Cannon e teve a produção executiva de Charlize Theron. É um presente e um exercício surreal saber que assistirei à uma década da minha vida passando na TV nos próximos anos (dedos cruzados para a renovação da segunda temporada!).

A cena de abertura do Girlboss mostra a minha personagem dizendo “A vida adulta é onde os sonhos vão para morrer”. Eu acreditava nisso e continuo acreditando. Mas agora também penso que se a vida não arrancar dos nossos dedos o que nos define — e define sucesso — nós nunca seremos forçadas a desaprender, aprender, amar mais e ir mais longe.

Alguém já deve ter dito que você não pode ter tudo, mas eu discordo! Nós podemos sim ter tudo. Apenas não tudo ao mesmo tempo.

Para conferir o texto original, publicado no site da InStyle, acesse este link.

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