Sabe aquela profissional inspiradora que, de repente, resolveu deixar seu cargo? Ou aquela amiga que abriu mão da carteira assinada e optou por trabalhar em uma empresa totalmente diferente? Além de todos os motivos que levam alguém a sair do emprego – como realizar um sonho, aproveitar novas oportunidades ou equilibrar a vida pessoal e profissional — existe um motivo que acarreta desgaste emocional, divergências com os valores da empresa e está frequentemente entre as razões de uma demissão: a presença de chefes tóxicos.

Chefe tóxico? Como assim?

Trabalhar com pessoas que desmerecem sua produção, tentam se aproveitar do seu esforço ou brigam constantemente com a equipe é um dos principais motivos para que as pessoas abandonem seus empregos. Mesmo com bons resultados na empresa ou com a crise econômica, as pessoas – principalmente os jovens – prezam pela saúde mental e qualidade de vida, ao invés de enfrentar diariamente um diretor, gerente ou CEO desagradável.

Mas não é preciso abrir mão da carreira, de um local de trabalho amigável ou estabilidade em função desses gestores ruins. Quer ver só? Separamos os principais perfis de chefes tóxicos e dicas para enfrentar as situações desconfortáveis que eles causam:

(Os artigos aqui estão no masculino, mas que fique claro que essas características existem em chefes homens e mulheres, hein?!)

O falso campeão

Esse tipo de chefe incentiva o trabalho, dá chances para a equipe melhorar mas, no final do dia, na hora de receber prêmios ou apresentar um projeto, age como se fosse o único dono da ideia e fica com todos os créditos pelo que foi produzido — seja uma ação na empresa, um produto inovador ou um relatório mensal. Com essa postura, ele se aproveita do medo de perder o emprego ou da lealdade dos funcionários, e acaba virando o único que se destaca no mercado, entre investidores e outros gerentes.

Como lidar? Antes de tudo, é preciso ter paciência e não se exaltar quando esse chefe levar o mérito por alguma coisa que você fez. Esteja presente em todas as etapas do processo, organize bem os seus arquivos e deixe o trabalho registrado, para que outras pessoas possam ver que você está participando. Também é válido se prontificar na hora de responder perguntas ou apresentar relatórios.

O microgerente


Atribuição de tarefas, monitoramento constante e um looping eterno de alterações. O chefe microgerente se caracteriza por distribuir muitas atividades e se apegar às menores partes de cada uma, avaliando tudo o que a equipe faz de forma crítica, prestando atenção em detalhes desnecessários e dando a entender que a sua abordagem é a única correta.

Como lidar? Mostre que você entende as regras, consegue resolver os problemas e colocar tudo em ordem, sem que o chefe precise estar o tempo todo no seu pé. Encontre uma forma amigável de conversar e deixar claro que, se tiver algum problema, irá procurá-lo imediatamente. O importante é inspirar confiança e fazer essa pessoa acreditar mais no seu potencial.

O mentiroso


Promessas, oportunidades e discursos que deixam os funcionários confortáveis, mas acabam não acontecendo ou funcionando na prática. Esse perfil, na maior parte do tempo, cria expectativas e engaja a equipe em projetos ou sonhos mal formulados, que acabam se transformando em frustrações, desrespeito com o funcionário e dão uma imagem ruim à empresa.

Como lidar? Fique atento às atitudes do seu chefe: ele passa muito tempo prometendo um aumento, falando de um projeto em construção ou incentivando atitudes que, a longo prazo, caem no esquecimento? Se isso acontecer, seja racional e, nas reuniões ou conversas particulares, peça informações, estatísticas e algum tipo de documento que confirme o que ele está falando. Se for possível, anote as promessas ou ideias e, em outro momento, lembre-o dessas propostas.

O selecionador


Esse chefe carrega uma lista de favoritos: sejam ideias que lhe agradam, funcionários que prefere indicar para alguma tarefa ou escolhas que, às vezes, só fazem sentido na mente dele. O comportamento do chefe selecionador — que pode até ser irracional — deixa a equipe desmotivada, cria um ambiente competitivo e faz com que você desmereça o seu próprio trabalho.

Como lidar? É natural sentirmos mais empatia e afinidade por determinadas pessoas. Mas no ambiente corporativo, esse sentimento deve ser deixado de lado, para que a eficiência e crescimento sejam as verdadeiras prioridades. Proponha mais trabalhos com equipes misturadas, estimulando a cocriação, ou converse em particular com o seu chefe, de forma amigável, apontando que todos podem contribuir para uma solução eficaz dentro da empresa. Outra atitude importante é trabalhar bem a sua autoestima: não dependa apenas dos elogios do seu chefe – confiar no seu trabalho é uma boa tática para ignorar o favoritismo dentro da equipe.

O estressado


Algo deu errado na entrega do projeto: o seu chefe explode com todos ao redor. Um grande executivo vai visitar o departamento, mas o café acabou: ele se estressa outra vez. Um cliente pediu alterações no serviço: outra briga com a secretária, com os profissionais envolvidos, com os funcionários da limpeza. Trabalhar com chefes que possuem esse perfil faz com que cada passo seja arriscado, o ambiente se torna tenso, estressante e mais propenso a falhas — que, é claro, vão originar mais brigas, sermões ou reuniões aterrorizantes.

Como lidar? A primeira dica é nunca comprar briga ou se alterar com um chefe estressado. Deixe a poeira baixar para apresentar soluções ou apontar falhas e, caso ele comece a se irritar novamente, mostre que você está calma e que não há motivo para se desesperar com a situação. Com esse tipo de pessoa, também é importante trabalhar com dados, soluções rápidas e sempre dar respostas bem completas em e-mails, mensagens ou reuniões.

O egocêntrico


Ele está mais interessado em seu desenvolvimento pessoal do que nos números da empresa ou na capacitação da equipe, além de sempre dizer que a sua inteligência, criatividade e decisões são as únicas razões para a empresa funcionar. As atitudes do chefe egocêntrico desmerecem o trabalho, fazem você se diminuir e podem até criar uma idolatria à posição de chefe – o que aumenta o poder e, consequentemente, a vaidade de quem ocupa o cargo.

Como lidar? Muitas vezes, o egocentrismo está relacionado à falta de confiança. Então, evite confrontar o seu chefe em público e prefira uma comunicação direta, calma, com sugestões e ideias em particular. Deixe de lado, também, os elogios exagerados e, em caso de desrespeito, descubra se os seus colegas se sentem da mesma forma e fortaleça a equipe antes de conversar com o gestor.

O competidor

O chefe competidor não quer que os funcionários tenham mais experiência do que ele – seja em relação às conquistas profissionais, ao estudo, às relações dentro da empresa. Ele desvaloriza a equipe constantemente e está sempre querendo competir, com o objetivo de provar sua inteligência, capacidade e mérito. Com isso, deixa o profissional pouco à vontade e intimida a todos na hora de um brainstorm ou tomada de decisão.

Como lidar? Nesse perfil, é normal observar chefes que acabam acumulando tarefas apenas para provar que sabem mais. Mostre ao seu gerente ou diretor que ele pode confiar na equipe, ajude-o a delegar as tarefas e explorar o potencial de cada um, deixando os funcionários mais independentes, relaxados e produtivos.

O tradicionalista


Esse chefe não quer saber de tecnologias ou ideias inovadoras. Prefere manter a empresa dentro daquilo que sempre foi e, até mesmo nas questões pessoais, acaba não aceitando as diferenças entre pessoas, projetos e pensamentos. Mesmo que o tradicional não seja ruim – afinal, pode ser bom manter aquilo que já foi testado e aprovado –, o chefe que age dessa forma acaba deixando a equipe estagnada, sem oportunidades para novos projetos, cargos ou salários.

Como lidar? Ajude-o a pensar fora da caixinha. Apresente dados e estatísticas que provam a importância da inovação, mas que não vão interferir na imagem construída pela empresa. Se o problema do seu chefe for um pensamento antiquado, também vale mostrar pesquisas e indicar o perfil do público, para que ele entenda que o mundo está sempre em movimento e o trabalho precisa se adequar aos pensamentos e atitudes do mercado.

O mandão


Além de delegar tarefas e organizar a equipe, esse chefe quer que você esteja disponível para horas extras e atividades que não agregam muito ao seu currículo. Desde buscar um café a participar de eventos sem aviso prévio, o chefe quer disponibilidade total, fazendo o funcionário abrir mão da vida pessoal ou de outros compromissos corporativos para atender às suas demandas.

Como lidar? Participar das atividades da empresa e ser prestativo é importante (e pode até fazer você se sentir mais animada em trabalhar), mas tome cuidado com chefes que exigem sua presença ou atenção 24 horas por dia. Mantenha uma agenda dos compromissos relacionados à empresa, deixe claro em quais horários você não poderá comparecer (por ter um curso às sextas à noite, por exemplo) e perca o costume de sempre ficar mais um pouquinho depois do expediente. Isso pode deixar seu chefe mal acostumado e até mesmo indicar algum problema de produtividade no seu setor.

Com paciência e jogo de cintura é possível evitar a toxicidade dos chefes, colaborar para que eles evoluam e fazer a empresa crescer. E lembre-se: tomar grandes decisões e mudar o cenário é a atitude mais maker que existe!

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