Foto de destaque by: Style Memos

Ser freelancer é o sonho de muita gente. A possibilidade de trabalhar com mais flexibilidade, escolher os jobs que serão desenvolvidos, poder viajar e ser a sua própria chefe são aspectos que chamam a atenção de muita gente.

Sim, todos esses pontos são verdade. Porém, largar o emprego com carteira assinada e virar prestadora de serviços é uma decisão que deve ser tomada com cautela. Há quase cinco anos, quando eu abri o meu CNPJ e comecei a prestar serviços como produtora de conteúdo, não fazia ideia de alguns desafios que ia enfrentar nesta “vida de freela”.

Por isso, decidi separar algumas informações que gostaria que tivessem me contado antes e eu aderir a esse formato de trabalho. Olha só:

Photo by: Fashion Me Now

Photo by: Fashion Me Now

8 coisas que você precisa saber antes de virar freelancer:

1- É solitário

Ser freelancer é extremamente solitário. Quando você é funcionária de uma empresa, costuma ter colegas de trabalho e participar de um time. Como prestadora de serviços, você não terá isso. Nada de almoço com os amigos do escritório para falar sobre o chefe. Nada de integrações, festinhas da firma, nem nada disso.

Como você não faz parte de um time de trabalho, é importante criar um grupo (sério, para não enlouquecer!). Procure se reunir com outros amigos que fazem freela. Faça parte de um coworking. Tenha um dia fixo para tomar café com as suas amigas da época da faculdade. Dessa maneira, você não vai se sentir tão solitária com o seu trabalho.

2- Tem meses que entra muito dinheiro. Tem meses que não entra dinheiro nenhum

A não ser que você tenha “clientes fixos” (aqueles que precisam dos seus serviços todos os meses, também conhecidos como os clientes dos sonhos de qualquer freela), a sua quantidade de trabalho vai variar de um mês para o outro.

Isso significa que em alguns meses você vai ganhar mais dinheiro do que em outros. Portanto, nada de ficar deslumbrada quando entrar muita grana e já pensar em comprar passagens de avião para a Europa. Em algum momento, você vai enfrentar uma baixa de mercado e vai precisar de dinheiro para se manter.

Antes de adotar a rotina de prestadora de serviços, eu até cheguei a ouvir um conselho, mas não coloquei em prática e me arrependo muito. Portanto, aqui vai uma dica de quem já errou nesse aspecto: guarde dinheiro. É sério, em algum momento VOCÊ VAI PRECISAR.

O ideal é fazer uma reserva de dinheiro de emergência de pelo menos seis meses. Dessa maneira, se nenhum cliente novo entrar (ou então alguma coisa mais séria acontecer contigo, tipo problemas de saúde), você não vai surtar.

cadastronews1

3- Criar projetos paralelos é importante

Além de atender os seus clientes, crie projetos próprios. Você manja de texto e produz conteúdo para terceiros? Então aproveite e também faça um blog pessoal. Você é fotógrafa? Então além dos seus jobs, pense numa exposição. Você é ilustradora? Então crie produtos com as suas ilustrações, que podem ser vendidos pela internet.

Ter projetos pessoais é excelente para quem é freela por uma série de motivos. Eles são um caminho alternativo para conseguir novos clientes. Eles podem ser uma fonte de renda paralela. Eles te mantém ocupada mesmo quando a quantidade de trabalho de clientes está baixa.

4- Colocar limites

Sim, você precisa está disponível para o seu cliente nos horários convencionais. Porém, tem muito cliente “sem noção”, que acaba abusando do seu trabalho. Portanto, assim que fechar um contrato, informe como será a sua prestação de serviços. O combinado não sai caro, então já diga logo de cara se você prefere que o contato seja feito por WhatsApp, e-mail, etc.

No começo da minha vida como prestadora de serviços, errei muito nisso. Eu respondia mensagem de WhatsApp tarde da noite, topava fazer uns trabalhos em prazos completamente sem noção, simplesmente porque o cliente disse que era importante.

Nesse período, passei vááários finais de semana na praia fazendo “textos urgentes” enquanto o meu namorado estava surfando. A cena pode até parecer interessante (trabalhar da praia), mas a versão real sou eu desesperada dentro do carro, com o laptop no colo, sofrendo porque o 3G do celular não dava conta de mandar os arquivos que o cliente precisava pra ontem.

entrevista de emprego2

5- Os concorrentes cobram menos e isso confunde a sua cabeça

Você tem que entender uma coisa. A falta de organização financeira de quem é autônomo acaba criando um cenário que é negativo para todo mundo: tem gente que cobra muito barato para fazer um job. Algumas pessoas realmente estão precisando de grana, e por isso acabam aceitando fazer o trabalho por um preço muito mais baixo do que o comum. Isso é prejudicial para todos os profissionais do segmento!

Se você quer ser freelancer, descubra logo de cara qual é o seu valor. Os concorrentes cobram menos? Que seja, eles vão trabalhar com clientes que não estão dispostos a pagar o real valor.

Entenda que o seu trabalho é importante e vale o tanto que você cobra. Dessa maneira, vai atrair clientes maneiros, que entendem a sua precificação e que estão dispostos a pagar por um trabalho bem feito.

6- Ser freelancer não significa trabalhar menos

O quesito que mais chama a atenção de quem quer ser freela é a “flexibilidade”. Sim, você pode adaptar a sua agenda para viajar, participar de eventos ou até tomar um café no meio da tarde com alguma colega. Porém, isso não significa, neeeem de longe, que você vai trabalhar menos.

Se você não entregar o trabalho, não recebe o dinheiro. Simples assim. Portanto, no final das contas ser freelancer também significa trabalhar muito no final de semana e em horários que não são convencionais.

ser-freelancer

7- Férias é uma ilusão

Férias é um conceito que faz parte do “formato tradicional” de trabalho. 30 dias no ano sem responder e-mails ou resolver questões importantes? Isso não existe na vida de freelancer, ou então eu estou fazendo alguma coisa muito errada. A partir do momento que você se torna prestador de serviços, acostume-se com pessoas te fazendo pedidos, mesmo durante “as férias”.

Eu estou nessa vida há tempos e posso dizer que nunca passei nem uma semaninha sem precisar resolver algo. Sim, sim, eu tenho uma agenda que pode se adaptar às datas que as minhas amigas podem viajar. Mas enquanto todas elas estão tranquilonas pegando um bronze na República Dominicana, sem as preocupações de chefe fazendo pedidos, eu estou na espreguiçadeira ao lado controlando a minha ansiedade por estar sem Wi-Fi (história real!).

8- Você vai pensar em desistir. Mas depois vai lembrar que ser freelancer é um caminho sem volta

É sério, ser freelancer é massa, mas você vai pensar em desistir. Vai cogitar largar essa vida diversas vezes. Eventualmente, vai procurar vagas no LinkedIn. Dependendo do momento, vai até mandar uns currículos.

Você vai ver aqueles seus amigos que estão em multinacionais e vai ficar p*** da vida por não ter tentando algum processo de trainee quando saiu da faculdade. Eles têm 30 dias de férias, décimo terceiro, estão crescendo em suas carreiras.

Porém, a boa notícia é que essa sensação passa. Você até pode jogar a toalha e entrar num “emprego convencional”, mas vai ver que nada se compara à felicidade de ser freelancer.

O último conselho que gostaria de ter recebido é: a partir do momento que você se torna freela, esse é um caminho sem volta. Você não vai mais conseguir entender como o formato tradicional de trabalho ainda exige que as pessoas fiquem na frente do computador das 9h às 18h, mesmo depois de concluírem as tarefas. Você vai se ferrar virando a noite para concluir um job, mas vai se dar a liberdade de comemorar a vitória tomando um café com as outras amigas freelas. No meio da tarde. Numa quarta-feira.

Esse formato de trabalho é cheio de complicações, mas no final das contas todos são, né?! Ser freela é uma delícia. Recomendo que você dê o seu salto pra essa vida o quanto antes 😉

Comentários

Comentários